Destino Napoleão: turismo sustentável

No passado dia 12 de maio, a convite da Federação Europeia das Cidades Napoleónicas, a vice-presidente da Rota Histórica das Linhas de Torres – Associação para o Desenvolvimento Turístico e Patrimonial das Linhas de Torres Vedras, Ana Umbelino, participou no webinar “Destination Napoleon et tourisme culturel durable: défis pour le patrimoine napoléonien en Europe”.

Nas palavras da vice-presidente, a Rota Histórica das Linhas de Torres (RHLT) acredita que a abordagem dos novos desafios para um Turismo Cultural Sustentável pode contribuir para as desejadas transições ecológicas e sociais, reduzindo a pegada carbónica; aumentar a reutilização de circuitos, dando valor aos produtos locais; reconhecer o conhecimento das comunidades como recursos positivos; e criar empregos de qualidade, alinhados com os direitos sociais, em diferentes áreas, incluindo indústrias criativas. Esta nova abordagem ao turismo pode melhorar o capital social, fomentando a inovação e superação do desenraizamento social e anomia cívica, principalmente como acontece, com maior incidência, em zonas rurais. Pode, ainda, contribuir para o reforço de dois fatores que a RHLT considera de extrema importância: a hospitalidade e o cosmopolitismo dos locais e territórios, que vão para além da sua dimensão económica.

De seguida, a vice-presidente partilhou, com os assistentes e colegas de painel, o caminho que a Rota Histórica das Linhas de Torres está a trilhar no envolvimento ativo de cidadãos e turistas em atividades organizadas em torno do património das Linhas de Torres Vedras, nomeadamente em ações relacionadas com a sustentabilidade ambiental e com as comunidades que estão comprometidas na salvaguarda deste património. Atualmente, a RHLT está a concretizar um conjunto de ferramentas e recursos baseados num programa de educação patrimonial que, quando concluído, contribuirá para a sensibilização dos cidadãos de várias idades.

A Rota Histórica das Linhas de Torres emergiu de uma forma orgânica e rapidamente se empenhou em criar relações e cooperações com instituições turísticas e culturais estabelecendo uma relação muito próxima com agentes privados, apostando na sua capacitação através de ações de formação técnicas, para que a sua oferta turística de diferenciasse e procurando apoiar o desenvolvimento de pequenos negócios locais. Evidência disso são as pequenas empresas que se dedicaram à arte contemporânea e artesanato criando marcas customizadas relacionadas com as Linhas de Torres Vedras, bem como a criação de produtos inspirados nesta temática. Além disso, tem trabalhado para a conceção de um Laboratório Criativo, desafiando algumas organizações culturais e criativas a produziram novos conteúdos, tendo atualmente grupos constituídos e associações ligadas às recriações históricas. Está igualmente empenhada em apoiar o estudo de residências artísticas, onde criadores artísticos são convidados a trabalhar com as comunidades e a conectar as comunidades dos vários municípios.

Tal como explicou a senhora vice-presidente, a RHLT está ainda comprometida com outros desafios tais como:
– Tornar o património das Linhas de Torres acessível a todos, investindo nomeadamente em ferramentas de mediação para cegos, por exemplo, através da criação de maquetes tácteis e melhoramentos nos Centros de Interpretação e Fortes para os tornar mais acessíveis e inclusivos.

– Desenvolver um programa de educação patrimonial, construído com professores, para crianças e jovens, do qual os alunos são coautores de conteúdos, nomeadamente através de uma app Kids Friendly, que convida o público mais jovem a aprender e a disfrutar deste património.

– Continuar a investir na dimensão turística, mantendo o objetivo de criar um Hub de experiências que cruze diferentes produtos emergentes e consolidados, tais como, os vinhos e a gastronomia da região, com inspiração de época, as atividades ao ar livre, entre outros.

– Investir em dados de qualidade. Através de um sistema sofisticado, a RHLT começou a medir o número de visitantes nas fortificações e a partilhar estes dados com os parceiros da rede. É muito importante para a RHLT conhecer o mercado, e ter acesso ao perfil de quem nos visita.

– Trabalhar num plano estratégico, especificamente desenhado para o desenvolvimento de produtos truísticos, marketing e plano de comunicação, em estreita relação com o Turismo de Portugal num alinhamento vertical das prioridades nacionais e que envolva outros territórios na 1.ª e 2.ª Invasão Francesas.

– Cooperar, nacional e internacionalmente, designadamente integrado a Federação Europeias das Cidades Napoleónicas e o itinerário cultural europeu Destination Napoleon é muito importante, de modo a trabalhar em rede com outros parceiros e a expandir o impacto e a escala do nosso trabalho.

– Capacitar é um desafio permanente para a RHLT, que está atenta à agenda europeia, acreditando que esta abordagem ao turismo pode contribuir muito para a agenda de requalificação nalguns setores muito afetados pela pandemia da COVED-19. Através deste modelo podemos requalificar alguns destes trabalhadores e dar-lhes uma nova oportunidade, tirando partido do seu conhecimento e competências. A pandemia veio mostrar que o turismo de massas não potencia o bem-estar e não preenche os direitos económicos dos cidadãos, dado que as primeiras pessoas afetadas pela pandemia foram trabalhadores dos serviços de restauração, alojamento, animação turística, entre outros. Estamos, assim, conscientes desta ideia de turismo sustentável: um turismo mais centrado na natureza e mais slow pode providenciar mais trabalhos de qualidade, com melhores condições para os cidadãos.

– Adotar novas tecnologias, com a digitalização e a realidade aumentada e virtual, introduzindo assim novas camadas de experiência, para intensificar a “vivência” no património das Linhas de Torres Vedras.

– Apoiar a Arte Contemporânea através do Festival Novas Invasões, que convida a comunidade a participar ativamente no evento. Este é um evento instigante e com uma grande participação cultural da comunidade.

A vice-presidente da RHLT, Ana Umbelino, terminou a sua apresentação com a citação do diretor do Teatro Nacional de Estrasburgo, Jean-Pierre Vincent, “If we do not have a dream we will do nothing but manage”. Portanto, a RHLT não pretende gerir mas sim transformar e desenvolver projetos para criar novas oportunidades que sejam mais do que oportunidades económicas.

 Assista ao webinar completo aqui 

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