Aconteceu na RHLT / Campanha arqueológica no sítio do Castelo / Forte do Paço (Arruda dos Vinhos): do povoado fortificado com 5000 anos ao reduto oitocentista das Linhas de Torres
Nos meses de julho, agosto e setembro de 2021 a Arqueologia regressou às Linhas de Torres depois de um interregno de 10 anos. A campanha arqueológica no Sítio do Castelo / Forte do Paço (Arranhó, Arruda dos Vinhos) foi realizada pelo Município de Arruda dos Vinhos em parceria com o Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa e o apoio técnico do Gabinete de Estudos Arqueológicos da Direção de Infraestruturas do Exército, decorrendo com a direção científica de Ana Catarina Sousa, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, de Jorge Lopes, arqueólogo da Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos e André Texugo (UNIARQ), contando com a colaboração de uma equipa de estudantes de licenciatura e mestrado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e a consultoria do Coronel de Engenharia José Paulo Berger (Direção de Infraestruturas do Exército).
O vasto conjunto de campanhas arqueológicas desenvolvidas neste sítio entre 1988 e 1999, sob direção de Ludgero Gonçalves (1988-1997) e Guilherme Cardoso (1998-1999), permitiu identificar uma importante ocupação calcolítica, incluindo uma estrutura de tipo torre, e vestígios disseminados da Idade do Ferro e período Romano-Republicano. Trata-se de uma ocupação provavelmente sempre associada a funções defensivas. O domínio da paisagem e do vale da Arruda foi determinante em diferentes períodos históricos: muros, muralhas e fossos estão sobrepostos sendo difícil a sua interpretação.
Das 152 fortificações que integram a primeira e segunda linha defensiva a Norte de Lisboa, são conhecidos muito poucos sítios com ocupações prévias e apenas no sítio do Castelo / Paço se regista a presença de fortificações pré-históricas, o que reforça a sua importância científica e patrimonial.
A campanha de 2021 teve como objetivo a leitura espacial dos vários momentos de ocupação deste sítio através de novas metodologias. Assim, a campanha foi antecedida por um levantamento LiDAR através de drone com a colaboração do Centro de Estudos Geográficos e do Instituto Superior Técnico, o qual permite o mapeamento prévio das estruturas ocultas pela vegetação. Posteriormente procedeu-se à limpeza do terreno e à escavação de alguns elementos indicados pelo levantamento. O processamento dos dados de campo e da cartografia antiga será a base para uma primeira aproximação geoespacial dos vários vestígios, essencial para futuros trabalhos de investigação e valorização.