No dia 20 de outubro, celebrou-se o Dia Nacional das Linhas de Torres, uma data que homenageia a coragem, a resistência e a capacidade estratégica dos militares portugueses e britânicos, bem como a participação do povo português na defesa do país face à invasão das tropas napoleónicas.
Este ano, a cerimónia oficial decorreu em Torres Vedras, um dos municípios fundadores da Rota Histórica das Linhas de Torres (RHLT) – Associação para o Desenvolvimento Turístico e Patrimonial das Invasões Francesas.
A sessão de abertura esteve a cargo do vice-presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, Diogo de Oliveira Guia, que destacou a importância das Linhas de Torres Vedras no contexto nacional e europeu, bem como o seu contributo atual para a coesão territorial e o desenvolvimento das comunidades, em áreas como a cultura, a inovação, o património, o turismo e a sustentabilidade.
Prémios Wellington Honour: reconhecer a excelência e a inovação
Um dos momentos centrais da cerimónia foi a entrega dos Prémios Wellington Honour, distinções que reconhecem projetos, entidades e iniciativas que contribuem para a valorização do património, a promoção dos valores associados às Linhas de Torres Vedras e o reforço da cooperação entre os diferentes agentes comprometidos com este legado histórico e cultural.
Os galardoados de 2026 foram:
Acessibilidade e Inclusão — Associação Cultural Armazém da Casa da Varanda (AR.CA.VA.)
Pelo trabalho desenvolvido no âmbito do espetáculo de dança participativa Invasão, apresentado em Sobral de Monte Agraço, que promoveu o encontro e a participação entre artistas, público e comunidade. Destaca-se a integração de participantes da Comunidade Vida e Paz, criando oportunidades de participação e expressão artística para pessoas em situação de sem-abrigo e afirmando a criação artística como espaço de encontro, inclusão e valorização do outro.
Ambiente e Sustentabilidade — Tapada Nacional de Mafra
Pelo trabalho desenvolvido na preservação e valorização do património natural, conciliando a conservação da biodiversidade, a educação ambiental e a visitação sustentável num território de particular relevância ambiental, histórica e paisagística, intimamente ligado ao contexto das Linhas de Torres Vedras e das Invasões Francesas.
Cultura e Criatividade — Associação para a Memória da Batalha do Vimeiro
Pelo contributo para a preservação, valorização e divulgação da memória da Batalha do Vimeiro e das Invasões Francesas, através da dinamização de recriações históricas, iniciativas culturais e educativas e de diferentes formas de aproximação das comunidades ao património e à História.
Desporto e Aventura — Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA)
Em reconhecimento da sua participação no Running Challenge – Trail Linhas de Torres, valorizando o desporto como espaço de superação, participação e inclusão e como forma de aproximar novos públicos do património das Linhas de Torres Vedras e da memória das Invasões Francesas. A presença da ADFA reforçou a dimensão inclusiva do evento, demonstrando o papel da atividade desportiva na participação, na valorização pessoal e na aproximação ao território e ao seu património.
Promoção e Divulgação — Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal
Pelo apoio à valorização e promoção das Linhas de Torres Vedras e da memória das Invasões Francesas, nomeadamente através da participação e colaboração em iniciativas de promoção turística, como a Bolsa de Turismo de Lisboa, e de outros meios e recursos de divulgação. Este contributo tem sido importante para reforçar a visibilidade da RHLT e o reconhecimento das Linhas de Torres enquanto produto turístico e patrimonial de relevância regional e nacional, promovendo a sua integração nas estratégias de valorização e promoção turística do território.
Mais de duas décadas de história, cooperação e compromisso
Após a entrega dos prémios, a presidente da RHLT, Manuela Ralha, recordou o percurso de mais de duas décadas, desde a Plataforma Intermunicipal das Linhas de Torres até à atual Associação para o Desenvolvimento Turístico e Patrimonial das Invasões Francesas.
Na sua intervenção, destacou o legado recebido dos responsáveis políticos que antecederam os atuais protagonistas deste projeto e o compromisso que continua a unir os municípios e os parceiros na consolidação de um trabalho em rede, pioneiro e de referência, em Portugal e no estrangeiro.
Sublinhou, ainda, a importância de continuar a gerar valor para as comunidades, reforçando o papel do património como recurso de desenvolvimento territorial, e reconheceu o empenho da equipa técnica na concretização deste projeto coletivo.
Maiseu – Música portuguesa contemporânea para encerrar a cerimónia
A cerimónia terminou com um momento musical protagonizado por Maiseu, com Joana Camões, na voz e shruti box, e Miguel Samarão, nas violas regionais e percussão, num apontamento dedicado à música portuguesa.
Um brinde às Linhas de Torres
A tarde encerrou com um brinde de honra às Linhas de Torres, simbolizando a união entre municípios, parceiros e comunidades na valorização deste património comum.
Mais do que evocar um momento decisivo da História de Portugal, o Dia Nacional das Linhas de Torres constitui uma oportunidade para reafirmar a importância da cooperação, da preservação da memória e da valorização de um legado que continua a inspirar novas formas de participação, criatividade e desenvolvimento sustentável do território.