NAPOCTEP visitam Linhas de Torres

Nos dias 09 e 10 de julho, o terceiro encontro do projeto NAPOCTEP – Rotas Napoleónicas através de Espanha e Portugal – realizou-se na Rota Histórica das Linhas de Torres (RHLT).

O encontro teve início no dia 09 com visitas a alguns dos locais mais emblemáticos das Linhas de Torres, com o objetivo de partilhar com os parceiros de consórcio o trabalho que a RHLT teve vindo a desenvolver para a salvaguarda e conservação deste património ímpar na história da Europa e para o seu desenvolvimento cultural e turístico.

O primeiro local a ser visitado foi o Forte de S. Vicente, em Torres Vedras, onde está instalado um dos seis Centros de Interpretação das Linhas de Torres. Através de uma visita guiada, Paulo Ferreira deu a conhecer aos parceiros a estratégia que presidiu à construção do sistema defensivo das Linhas de Torres.

Seguiu-se a visita à Serra do Socorro, onde o grupo foi recebido do senhor vereador da Câmara Municipal de Mafra e membro da Direção da RHLT, António Felgueiras. Aqui esperava-os uma réplica, à escala real, do telegrafo ótico utilizado na comunicação ao longo das Linhas e que permitia que uma mensagem chegasse de um extremo ao outro da primeira Linha em apenas sete minutos.

Como explicou Marta Miranda, este equipamento tratou-se de uma adaptação das comunicações utilizadas pela Marinha Britânica e era operado, em terra, por marinheiros ingleses. O telegrafo da Serra do Socorro assumiu uma função central comunicando, por um lado, para o Forte do Alqueidão e, por outro, em direção oposta, para o Forte de S. Vicente. Este local ficou conhecido como o “ninho da águia” numa clara alusão ao tempo que Wellington ali passou.

Outro local frequentado diariamente pelo comandante do exército anglo-luso, durante o período que as tropas francesas assediaram as Linhas de Torres foi o Forte do Alqueidão. No seu sopé, protegido pela retaguarda deste grande entrincheiramento, Wellington instalou o seu quartel-general na Quinta dos Freixos (Pero Negro), apenas a 2 km do quartel-general de William Bresford, comandante do exército português.

O Circuito de vista do Alqueidão foi o terceiro, e último, ponto da visita dos parceiros.

Chegados ao Alqueidão foram desafiados a subir a estrada militar, a mesma por onde, outrora, se fez o transporte de artilharia, víveres, mantimentos e fardamento, material cirúrgico, feridos e a circulação encoberta ao inimigo, das tropas aliadas. A subida foi acompanhada pelas explicações de Sandra Oliveira e Telma Bento.

À entrada do Forte do Alqueidão esperava-os o senhor presidente da Direção da RHLT e presidente da Câmara Municipal de Sobral de Monte Agraço, José Alberto Quintino, o presidente da Associação Napoleónica Portuguesa, Faria e Siva, e dois soldados, trajados à época, faziam a guarda.

Os Artilheiros da Vila de Sobral, um dos dois grupos de recriação histórica da Associação 13 de Setembro de 1913, demonstrou, numa das canhoneiras do Forte do Alqueidão, como se manobrava um canhão, desde a sua limpeza, após o último disparo, até à preparação para o próximo ataque. As Companhias de Artilharia da Vila de Sobral, bem como os seus uniformes, foram criadas por William Beresford. O Forte do Alqueidão foi o único a ser guarnecido com tropa de linha, comandada pelo general Pack.

Depois das manobras de artilharia, os visitantes prosseguiram a sua visita pelo interior do Forte, ao longo da qual foram explicadas as funções das várias obras militares do seu interior (paióis, traveses, redutos, poço e a “casa do governador”). Subindo ao Observatório de Paisagem foi possível observar toda a primeira Linha de defesa, desde o rio Tejo ao Oceano Atlântico.

A surpresa do dia foi feita pela Guerrilha de Montagraço, que fez uma emboscada para apanhar este grupo de “invasores”. A Guerrilha de Montagraço, que integra a mesma associação que a Artilharia de Sobral, é um grupo de recriação histórica que representa o povo armado cujo trabalho foi determinante no desgaste das tropas francesas. Ambos os grupos de recriação têm participado em vários momentos de recriações históricas, quer me Portugal quer em Espanha, alusivas à guerra peninsular.

O dia terminou no restaurante Vilamanjar com um brinde ao mural que concilia a boa comida e os bons vinhos da época com o período conturbado vivido pelos portugueses enquanto lutavam pela independência do seu país – uma verdadeira experiência que resulta do encontro da história, com a gastronomia, a enologia e a cultura portuguesa.

No dia 10 decorreram, ao longo do dia, as reuniões de trabalho dos Comités de Direção e de Seguimento do NAPOCTEP, no Hotel Dolce Campo Real.

As reuniões tiveram como objetivos a apreciação das atividades desenvolvidas e dos entregáveis remetidos por cada grupo de trabalho, bem como a análise do avanço do projeto, metas alcançadas e futuras.

Seguiu-se a pausa para o café, ocasião onde foram apresentados, no terraço do hotel, os produtos de doçaria, salgados e licores por Ana Duarte, dos Moinhos da Capucha.

A sua degustação e a estórias deliciosas de Ana Duarte são a simbiose perfeita para uma experiência gastronómica, na presença das nas marionetas de Napoleão e Wellington.

Na segunda parte da manhã foram dadas as boas-vindas pela senhora vice-presidente da RHLT, Ana Umbelino, aos convidados da área da hotelaria, restauração, vinhos e animação turística que aceitaram prontamente partilhar com os parceiros como o património e a história da Linhas de Torres tem sido inspirador e motor de diferenciação para os seus negócios.

À vice-presidente da RHLT coube ainda partilhar as boas práticas do projeto da RHLT – Associação para o Desenvolvimento Turístico e Patrimonial das Linhas de Torres Vedras, bem como de algumas parcerias desenvolvidas com o setor público e privado, em torno da atividade turística.

Seguiam-se as intervenções do senhor secretário executivo da CIM Região de Coimbra, Jorge Brito, que reforçou a oportunidade que o projeto NAPOCTEP constitui para todos os parceiros de consórcio quer no que respeita à consolidação de uma rede de parcerias e colaboração, ancoradas num itinerário histórico e turístico comum, quer na sua visibilidade na Europa, nomeadamente com o apoio da Federação Europeia das Cidades Napoleónicas e a integração no itinerário europeu “Destination Napoleon”.

As palavras do presidente do Turismo do Centro, Pedro Machado, vieram corroborar o que anteriormente foi dito, sem descurar o novo desafio que que Portugal e Espanha, à semelhança do que se passa pelo mundo, têm pela frente, em matéria de retoma turística.

Neste sentido, conjugar sinergias de territórios de baixa densidade, procurando divulgar um produto singular, que conquiste a confiança e provoque segurança no visitante é absolutamente fundamental para iniciar a retoma turística dos países.

Depois disso, tiveram lugar as apresentações públicas dos convidados: a diretora-geral do Hotel Dolce Campo Real, Paula Duarte, referiu na sua comunicação de que modo as Linhas de Torres são um recurso na promoção do empreendimento turístico e nas ofertas turísticas dinamizadas pelo hotel Dolce Aventura; o gestor da empresa de animação turística VitiScape, que gere a Quinta da Folgorosa, José Melícias, partilhou a sua experiência de como pode o enoturismo valorizar a experiência turística de quem visita o património das Linhas de Torres. A quinta é uma propriedade com mais de 300 anos cujos vinhos o Duque de Wellington considerou os melhores de Lisboa. Tem uma área de 40 hectares de vinha, produzindo vinhos tintos e brancos; por fim, foi a vez do diretor comercial da Quinta do Morgado Lusitano, Henrique Santos, referir o turismo equestre como um ativo para o usufruto do património, nomeadamente as atividades equestres com o cavalo lusitano em harmonia com a beleza do rio Tejo, das Linhas de Torres e da quinta do século XVIII, onde está instalada a atividade equestre, alojamento e animação turística, a15 km de Lisboa, inserida na região vitivinícola do arinto de Bucelas.

O almoço, com menu de inspiração de época, teve lugar no restaurante Garden Terrace, no Hotel Dolce Campo Real.

Da parte da tarde, foram retomadas as reuniões do 3.º Comité de Direção do projeto NAPOCTEP, com a análise da execução financeira e o primeiro pedido de pagamento, bem como o estado atual do pedido de reprogramação.

Foram distribuídos por todos os parceiros um conjunto de postais resultado do concurso #EUinmyregion 2020. Una das fotos enviadas, que representa o projeto e o património das Invasões Francesas – Linhas de Torres, foi selecionada e constitui uma oportunidade para divulgar o projeto à escala europeia.

Esta foto representa simbolicamente o projeto que têm como objetivo contribuir para alcançar a proteção e divulgação do património cultural e natural, como suporte da base económica da região, apostando na valorização da enorme herança cultural da era napoleónica, gerando um produto turístico diferenciado, de qualidade e sustentável, atrativo e que permita gerar atividade económica e emprego na região.

#EUinmyregion é uma campanha de comunicação que visa aumentar a visibilidade de projetos financiados pela UE em toda a Europa. Usando as ferramentas e o suporte de comunicação, as autoridades de gestão e os beneficiários do projeto são convidados a envolver-se com os cidadãos para mostrar o que alcançam em conjunto com a UE na região.

O concurso é dirigido a todos os tipos de projetos financiados pela UE (FEDER, FSE, INTERREG, Life, Europa Criativa, etc.).
As fotografias são selecionadas com base em considerações estéticas, adequação e capacidade de despertar o interesse do público.

As melhores imagens de um projeto recebem 300 postais e beneficiam da sua divulgação à escala europeia, através dos meios de comunicação social #EUinmyRegion social media bem como da sua página de Facebook e Instagram.

O projeto NAPOCTEP é financiado pelo Programa de Cooperação Transfronteiriça Interreg V-A Espanha – Portugal – Interreg POCTEP (2014-2020). Tem um orçamento total de 710.228€, dos quais a União Europeia financia a 75%.

A duração da implementação das atividades técnicas é de dois anos.

O projeto NAPOCTEP faz parte do programa POCTEP do objetivo temático “Conservar e proteger o meio ambiente e promover a eficiência dos recursos”, bem como da prioridade de investimento “Conservação, proteção, promoção e desenvolvimento do património natural e cultural”.

O NAPOCTEP está a ser executado por um consórcio de 8 entidades beneficiárias: CIM-RC (Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra), CIM-BSE (Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela), TCP (Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal, RHLT (Rota Histórica das Linhas de Torres – Associação para o Desenvolvimento Turístico e Patrimonial das Linhas de Torres Vedras). FSÉCULO (Fundação Século para o Turismo e Artes de Castela e Leão. Department of Culture e Tourism. Junta de Castela e Leão), FSMRPH (Fundação Santa Maria a Real do Património Histórico), FINNOVA (Fundação Delegação da Fundação Finnova e SEGITTUR (Sociedade Comercial Estadual para Gestão Inovação e Tecnologias Turísticas, S.A.M.P. Ministry of Energy, Tourism and Digital Agenda. State Secretariat for Tourism).

www.napoctep.eu